RPG e Outros Jogos na Educação

            O grupo NERD (Núcleo de Estudos de RPG e Didática) realizou a primeira jornada de exposições, em um encontro na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), nesse dia 15 de setembro de 2017. O objetivo do grupo do encontro foi demonstrar a possibilidade prática de canalizar conceitos, estrutura e narrativa dos jogos de RPG em sala de aula, aliando dois supostos inimigos, o lúdico e o cognitivo, o jogo e o aprendizado: o RPG e o Ensino. O NERD é coordenado pela Profa. Dra. Aline da Silveira, do departamento do curso de História da UFSC.

            O nome do evento foi “RPG e outros jogos da Educação”, e contou com relatos de projetos já aplicados em salas de aula, apresentação de novas propostas e até – já no fim – algumas experiências práticas com o público. Por natureza interdisciplinar, os membros do grupo e também platéia interessada pertenciam a um variado público – alunos e professores de história, teatro, filosofia, física, design, o que apenas enriqueceu os debates e perguntas. Apesar de relativamente pequeno, o evento contou com exposições de palestrantes via Skype; pesquisadores que somaram suas ideias e projetos com o público e interagiram ao vivo com o público presente no evento.

            A primeira palestra foi da profa. Juliana Freitas, do mestrado profissional da História, com sua dissertação acerca de um RPG na Península Ibérica Medieval. Com fichas pré-montadas de cenários, desafios e personagens, Juliana apresentou uma sólida aventura na qual alunos do sétimo ano do Ensino Fundamental deveriam sentir na pele como era atravessar o medievo, marcado por divisão religiosa e perigos sérios.

            Eduardo Kato falou em seguida, explicando seu projeto de TCC, que tenta construir um jogo do zero, com estrutura de RPG, para o ensino de história. Suas ideias colocam os personagens-alunos para superar questões em plena peste negra, na Europa Medieval.

            É possível aprender pela “informalidade”, jogando ou com memes, com linguagens próprias dos alunos? Foram algumas provocações de Viviane Ferreira, que relacionou o debate com sua tese em Literatura, em que trabalha com pré-conceitos sobre linguagens e narrativas participativas, das quais jogos, em particular o RPG, estariam incluídas.

            Diretamente de Barcelona, a profa. Débora da Rocha, da UFSC, falou em seguida online explicando sua tese, em que construiu um jogo conjuntamente com crianças dos anos iniciais, inspirada no jogo de tabuleiro “Ilha Proibida”. O jogo era cooperativo, e os estudantes constroem juntos a resolução dos desafios. Sua tese radicaliza inclusive em estrutura – sendo exposta de forma lúdica e criativa num “livro” que pudesse ser lido pelas próprias crianças co-autoras.

            Também via Skype, o professor de História Rafael Carneiro Vasques, de São Paulo, um dos pioneiros da construção de experiências de RPG e ensino no Brasil, foi o próximo. Sua fala foi dos desafios e dificuldades da área, em crescimento, mas que combate permanentemente a descrença em vários âmbitos do sistema escolar, seja no estabelecimento de ensino (direção, coordenação), seja na fala de colegas professores ou mesmo na percepção de pais e alunos.

            No âmbito de gamedesign, a fala de Bruno Ventura trouxe conceitos importantes da “Gamificação” para o debate, explicando como o uso da estrutura de jogos já é utilizado dentro do mercado empresarial, seja na venda de produtos, seja na cooptação de interesse e participação social, exemplos dos quais uma experiência com o ensino não deve deixar de dialogar e verificar.

            Thiago Wallerius, também professor de História, relatou sobre a experiência da aplicação de um jogo com conceitos de RPG: “Mãos do Poder”. Espécie de fusão entre Magic e War, e desenvolvido pelo grupo Meridiano (história medieval) na UFSC, o jogo ainda não havia sido aplicado. No relato, apareceram os desafios da prática, e em como, por vezes, as regras podem ficar no caminho do aprendizado ou mesmo da diversão.

            O evento se encerrou com a apresentação do professor de Teatro Felipe “Juiz” Rocha, que contou algumas de suas experiências didáticas, baseadas sobretudo em interpretação de personagens no estilo LARP (Live Action Role Playing) e na construção da improvisação através de uma adaptação do jogo “Sim, Mestre das Trevas!”. Como finalização do evento, os presentes participaram de uma cena de interação coordenada pelo professor Felipe.

Relato de Matheus Cademartori

Para contato: nerd.ufsc@gmail.com
Histórico:
“O Núcleo de Estudos de RPG e Didática (N.E.R.D.) surgiu em abril de 2017 a partir do interesse de graduandos da Universidade Federal de Santa Catarina em estudar os possíveis aspectos didático-pedagógicos do RPG no ensino das disciplinas curriculares da Educação Básica. Com o crescimento do interesse de outros participantes, o N.E.R.D. cresceu e oficializou seu subcampo e objeto.

O N.E.R.D. (antigo RPG, Ensino e Interdisciplinaridade) realizou o evento RPG e Outros Jogos na Educação no dia 15 de setembro, contando com a participação de profissionais docentes e de outras áreas que utilizam aspectos lúdicos e, em especial, o RPG em suas atuação profissional.

Em outubro de 2017, o N.E.R.D. criou seu primeiro projeto de aplicação do RPG, a partir do insumo de seus membros, para ser utilizado na Escola de Educação Básica Severo Honorato da Costa, no ensino de História, com enfoque no contexto brasileiro do século XVI.  Recentemente, o NERD fechou parceria com o Núcleo de Pesquisa em Infância, Comunicação e Arte (NICA-CED) que cede o espaço físico para as reuniões, além de colaborar com os estudos desenvolvidos.”

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